28 de novembro de 2008


"Chegou no apartamento dele por volta das seis da tarde e sentia um nervosismo fora do comum. Antes de entrar, pensou mais uma vez no que estava por fazer. Seria sua primeira vez. Já havia roído as unhas de ambas as mãos. Não podia mais voltar atrás. Tocou a campainha e ele, ansioso do outro lado da porta, não levou mais do que dois segundos para atender.

Ele perguntou se ela queria beber alguma coisa, ela não quis. Ele perguntou se ela queria sentar, ela recusou. Ele perguntou o que poderia fazer por ela. A resposta: - sem preliminares. Quero que você me escute, simplesmente.
Então ela começou a se despir como nunca havia feito antes.

Primeiro tirou a máscara: - Eu tenho feito de conta que você não me interessa muito, mas não é verdade. Você é a pessoa mais especial que já conheci. Não por ser bonito ou por pensar como eu sobre tantas coisas, mas por algo maior e mais profundo do que aparência e afinidade. Ser correspondida é o que menos me importa no momento: preciso dizer o que sinto.

Então ela desfez-se da arrogância: - Nem sei com que pernas cheguei até sua casa, achei que não teria coragem. Mas agora que estou aqui, preciso que você saiba que cada música que toca é com você que ouço, cada palavra que leio é com você que reparto, cada deslumbramento que tenho é com você que sinto. Você está entranhado no que sou, virou parte da minha história.

Era o pudor sendo desabotoado: - Eu beijo espelhos, abraço almofadas, faço carinho em mim mesma tendo você no pensamento, e mesmo quando as coisas que faço são menos importantes, como ler uma revista ou lavar uma meia, é em sua companhia que estou.

Retirava o medo: - Eu não sou melhor ou pior do que ninguém, sou apenas alguém que está aprendendo a lidar com o amor, sinto que ele existe, sinto que é forte e sinto que é aquilo que todos procuram. Encontrei.

Por fim, a última peça caía, deixando-a nua
- Eu gostaria de viver com você, mas não foi por isso que vim. A intenção é unicamente deixá-lo saber que é amado e deixá-lo pensar a respeito, que amor não é coisa que se retribua de imediato, apenas para ser gentil. Se um dia eu for amada do mesmo modo por você, me avise que eu volto, e a gente recomeça de onde parou... Paramos aqui!

E saiu do apartamento sentindo-se mais mulher do que nunca."

Strip-Tease (Martha Medeiros)

Em algum momento da vida, gostaria de ter me sentido assim...

13 comentários:

Tatah Marley's Confissões disse...

flor, que coisa mais profunda!
*.*
nossa, quem dera se todas as muleheres agissem desta forma quando fossem ter uma relação mais intima com o namorado, ou seja lá o que for.. aposto que tiraria a mascara de muitos homens por aí, e talvez a maioria deles nos valorizassem mais.

beijinhos

Christi Xavier disse...

Olá querida, primeiro, acho que vc mudou o visual aqui, ta lindo ! e seu sorriso é muito lindo tb, garota propaganda colgate.

O texto, profundo, emotivo, ingênuo, puro e verdadeiro, porque não se usam máscaras pra se falar do amor e do ser amado.
Não se importando com o retorno imediato de seus sentimentos, mas o prazer imutável de se amar.

E com certeza, em algum momento ainda vais se sentir assim, torço por ti.

Beijos, fique com Deus.

Christi

Belle disse...

caracaaaa, que atitude...
atitude de se amar mais do que a qlqr outra pessoa.

isso é a diferença!

beijooo galega

L. Rafael Nolli disse...

Olá, Jananaína. Gosto muito dos textos e dos poemas da Martha. Abraços.

Thiago De Sousa disse...

O amor, oq tds queremos, mas nem sempre temos, nao pode ser forçado, criado e nem por gentilezza, tem que ser natural, fuminante ou as poucos ele vai te tomando e nao existe isso de um amor mais do que o outro e sim... amar de jeitos diferentes, no fim... é amor.

R.Vinicius disse...

Janaína desconhecia este texto da Martha Medeiros e ao conhecê-lo adorei. Obrigado por isso. Gostei do seu Blog e vou lendo os posts anteriores, enquanto não atualiza ele novamente. Fica aqui o meu abraço e o desejo de uma ótima semana.

R.Vinicius

Garota Mascarada disse...

Emocionante.
Passei por aqui e tive que comentar, invadindo e gostando do espaço.
Até mais.

Átila Siqueira. disse...

Gostei muito do texto, foi deveras interessante a forma como a personagem exprimiu seus sentimentos com tanta franqueza.

E foi uma ótima analogia com um strip -tease. Com certeza ela se mostrou em nua em seus sentimentos.

Adorei.

Vim agradecer a visita no meu blog, e pedir desculpas pela ausência, mas é que ando muito atarefado.

Um grande abraço,
Átila Siqueira.

JAMES PIZARRO disse...

Essa minha conterrânea Martha Medeiros é insuperável mesmo ! Parabéns pelo bom gosto na escolha do texto.
Adorei teu blog.
Beijo

JP

Glau Ribeiro disse...

Jaaaana,

Martha Medeiros, sabe o que escreve! rs. O que tem de texto dela que a gente acha que é pra gente, ou que gostaria de ter feito igual é aos montes.

Mas sabe qual é a história mais bonita? A que a gente escreveu. Pra mim, a história mais bonita é essa que tá desenhada no seu blog entre as fotos, os sorrisos, a praia e as mãos dadas. É a mais bonita: porque é sua!!!! =)

Beeeeijo, lindeza!

=*****

Fee disse...

Ainda estou arrepiada e com os olhos marejados. O dia tá difícil e eu nunca tinha lido esse texto dela. Não gosto de lembrar q um dia fui covarde!

Um beijo

sandro caldas disse...

Esse texto é belíssimo.
Gostei do seu blog e te convido a visitar o meu.
Vi seu link no blog de Flavinha!
Grande beijo!

Jana disse...

eu adoro essa crônica e gostaria de ter tido a coragem dela.

beijos