12 de maio de 2011


“Então você está confusa com seus sentimentos. Ele apareceu tão de repente na sua vida, com aquele brilho manso no olhar, com aquela meiguice na voz, sem pedir coisa alguma, meio como um Pequeno Príncipe caído de um asteróide. A princípio você nada percebeu de diferente. O susto veio quando você se lembrou das palavras da raposa, explicando ao Pequeno Príncipe o que era ficar cativo: É assim. A princípio você senta lá e eu aqui. Depois a gente vai ficando cada vez mais perto. Os passos de todos os homens me fazem entrar dentro da minha toca. Mas os seus passos me fazem sair…”

- Antoine de Saint-Exupéry.

11 de março de 2011

03 de Janeiro.


Eu teria tantas coisas pra te dizer. Era o primeiro dia do ano, e a meia-noite era o seu abraço que eu queria sentir. E foi você que meu pensamento encontrou quando eu vi os fogos explodirem no céu. Eu fechei meus olhos e agradeci a Deus por você ter existido em mim até ali. E te devolvi a Ele.

Eu fui teimosa, até egoísta, e lutei por você, com tamanha determinação, com a qual eu nunca quis nada na minha vida inteira. Eu tive tantas certezas a seu respeito. Uma delas era que você nunca iria embora. Confiei a você os meus dias, as minhas alegrias, os meus sonhos, as minhas declarações de amor. Eu tinha certeza que você nunca iria embora. Confiei a você as minhas crises, os meus defeitos, os meus chamegos e a minha pele.

Eu tinha tanto medo antes. Mas você apareceu. Aos poucos me fez sentir que o seu amor era tão grande. Eu me senti salva. Como se a vida inteira eu tivesse esperado por alguém. Eu tive certeza de que era você. E de que era pra sempre. Mas não foi.

2011 chegou. Promessas de finais e tantos novos começos. Tanta coisa, que me dá medo. Uma delas é você. Infelizmente, acredito que não há mais nada a ser feito. Irreversível. Como a morte. Porque no fundo, alguma coisa realmente morreu. Se eu acreditasse em outras vidas. Ainda esperaria você.

Você vive dizendo que o tempo cura. Pra mim, o tempo levanta paredes em torno das coisas mais profundas. O tempo constrói muros inalcançáveis ao nosso redor. De onde ficaremos presos, desde aquele dia e pra sempre. Como se cada dia, uma fileira de tijolos fosse colocada. E não tem fim. É esse o trabalho do tempo.

O tempo levou com ele os nossos sonhos, o nosso dia-a-dia, levou ‘nós dois’. Não tem volta. E mesmo aos pedaços, eu preciso ir, porque não adiantaria juntar os cacos. Sempre vai existir alguém pra quebrar tudo de novo.

Quero que saiba que eu não vou te esquecer. Você estará pra sempre no meu relicário.

Eu me lembrarei de você, até nos confins da terra.



- O velho amor, ainda e sempre.

23 de fevereiro de 2011

Por enquanto.


Pelo amor perdido. Pelo carinho empoeirado na estante.
Pelo encanto deixado junto às cartas envelhecidas na gaveta.
Recorde meu sorriso de menina, e sorria comigo.
Pelo tempo que julgas ter perdido ao me amar sem medidas.
Reveja minha loucura no seu corpo, meu cheiro na sua roupa.
Por todo o futuro que jamais veremos chegar.
Reencontre a sua fé no amor. Vai dar certo. Eu sei.




- Trilha sonora da noite:
Maria Gadú e Ana Carolina - Mais que a mim.
♫♪

8 de fevereiro de 2011

"(…)

-Quando a noite chegar cedo e a neve cobrir as ruas, ficarei o dia inteiro na cama pensando em dormir com você.
-Quando estiver muito quente, me dará uma moleza de balançar devagarinho na rede pensando em dormir com você.
-Vou te escrever carta e não te mandar.
-Vou tentar recompor teu rosto sem conseguir.
-Vou ver Júpiter e me lembrar de você.
-Vou ver Saturno e me lembrar de você.
-Daqui a vinte anos voltarão a se encontrar.
-O tempo não existe.
-O tempo existe, sim, e devora.
-Vou procurar teu cheiro no corpo de outra mulher. Sem encontrar, porque terei esquecido. Alfazema?
-Alecrim. Quando eu olhar a noite enorme do Equador, pensarei se tudo isso foi um encontro ou uma despedida.
-E que uma palavra ou um gesto, seu ou meu, seria suficiente para modificar nossos roteiros.

(Silêncio)

-Mas não seria natural.
-Natural é as pessoas se encontrarem e se perderem.
-Natural é encontrar. Natural é perder.
-Linhas paralelas se encontram no infinito.
-O infinito não acaba. O infinito é nunca.
-Ou sempre."

Caio Fernando Abreu.

23 de janeiro de 2011



Sempre jurei que eu iria até o fim. E eu fui.
No fundo não acreditei que houvesse um fim.
Mas ele chegou.

Era inevitavel pensar que não havia solução.
Foi quando entendi, e aceitei,
que até então tudo havia sido tentado,
menos te esquecer.
E eu precisava ir, sem olhar pra trás.
Porque sabia que olhar para trás era uma forma
de ficar pela metade.Eu olhei pra trás.
E metade de mim, ainda está aqui.

3 de janeiro de 2011



Ontem chorei. Por tudo que fomos. Por tudo o que não conseguimos ser. Por tudo que se perdeu. Por termos nos perdido. Pelo que queríamos que fosse e não foi. Pela renúncia. Por valores não dados. Por erros cometidos. Acertos não comemorados. Palavras dissipadas.Versos brancos. Chorei pela guerra cotidiana. Pelas tentativas de sobrevivência. Pelos apelos de paz não atendidos. Pelo amor derramado. Pelo amor ofendido e aprisionado. Pelo amor perdido. Pelo respeito empoeirado em cima da estante. Pelo carinho esquecido junto das cartas velhas no guarda- roupa. Pelos sonhos desafinados, estremecidos e adiados. Pela culpa. Toda a culpa. Minha. Sua. Nossa culpa. Por tudo que foi e voou. E não volta mais, porque hoje é já outro dia. Chorei. Apronto agora os meus pés na estrada. Ponho-me a caminhar sob o sol e o vento. Tentar ser feliz, depois volto.


- Caio F. Abreu.




Porque se existe essa coisa de "o amor da minha vida"
Era você sim. Eu soube desde o começo.
E sei agora, mais do que nunca.
Embora eu também saiba que é o fim. (...)

28 de dezembro de 2010


Mesmo assim eu não esquecia dele.
Em parte porque seria impossível esquecê-lo,
em parte também, principalmente, porque não desejava isso.
É verdade, eu o amava. Não com esse amor de carne,
de querer tocá-lo e possuí-lo e saber coisas de dentro dele.
Era um amor diferente, quase assim feito uma segurança
de sabê-lo sempre ali.

(Caio F. Abreu)

22 de dezembro de 2010

Serenidade.


- Serenidade. Pedi a Deus baixinho. Do jeitinho que diz a oração. Pra enfrentar as coisas que posso mudar, pra suportar as que não posso, e pra saber discernir umas das outras. (...) Serenidade pra escolher o que quero do futuro imediato que está bem ali. Serenidade pro meu coração, pra amar incansavelmente a quem merecer, e pra deixar que o tempo afaste os que não pertecem a esse grupo. Serenidade pra enfrentar os dias dificeis, e sorrir. Pois como meu pai me disse uma vez, são os dias dificeis que nos levam de um dia feliz a outro. Serenidade pra mudar o que preciso e jamais perder a essência. Serenidade pra ver alguém partir, sem que leve junto um pedaço meu. Serenidade...

21 de outubro de 2010


Qualquer coisa que desse um jeito nessa mania que eu tenho de você, nessa agonia que me arranca todas as forças, e sempre que você me olha, me abraça, acaba com todos os planos e projetos de tirar você da minha por completo. Não sei mais o que tentar pra que funcione. Mas sei que eu preciso muito que você, já que não vem, vá embora de uma vez.

26 de setembro de 2010


'Te amo mesmo, talvez pra sempre.
Mas nem por isso eu deixo de ser feliz
ou viver minha vida.'

- Tati Bernadi

24 de setembro de 2010

Entretanto, adeus.



Foi quando ouvi você dizer que tanto faz. Repete! - Eu pedi. Não que eu seja teimosa a esse ponto, de ter que insistir só pra ir de encontro ao que você diz. É que eu não conseguia acreditar que era mesmo aquilo que eu estava ouvindo. Você disse tanto faz. Tanto faz se eu ficar por perto, tanto faz se eu for embora. Tanto faz se vai me perder de vista. Tanto faz se vai me esquecer. Tanto faz se vou encontrar alguém melhor que você. Tanto faz se vou sofrer sozinha. Tanto faz. Eu não sei se era a isso exatamente você se referia. Mas tanto faz pra você, faz toda diferença pra mim! - Não, eu não menti quando disse que daria minha vida inteira pra você, se preciso fosse. Mas sempre existem condições implícitas. E a minha única condição, era fazer alguma diferença. Se tanto faz pra você. Pra mim não faz! E vi você ir embora, e o meu coração dizer baixinho: - Pela última vez. É um adeus.

5 de setembro de 2010

Rascunhos.



Como se eu esperasse o tempo inteiro que um milagre acontecesse. Porque eu acredito em milagres, mas sei também que eles não acontecem pra todo mundo. Como se eu acordasse todos os dias tentando encontrar vestígios de alguma coisa estivesse funcionando. Vasculhando meu coração por todos as brechas, todas as gavetas e portas-qualquer coisa. Mas não encontro nada. Nunca encontro nada que me faça acreditar. Volta e meia eu pego meu celular e te escrevo um sms qualquer do tipo, Não vou conseguir sem você. Não envio. Aperto o botão vermelho e elas se encaminham automaticamente pra pasta rascunhos. Aliás, é pra lá que tem ido tudo... Rascunhos - Sabe aquela coisa que você começa, e aí sem sucesso, você pára e guarda, sem saber ao certo o porquê. Mas guarda, porque talvez um dia você recomece com ele. E talvez funcione. - É assim que tem sido, apenas rascunhos. Rascunhos de amor, de felicidade, rascunhos de um futuro que eu nem sei vai chegar. E que não consigo sequer, saber se quero esperar.

31 de agosto de 2010

Se eu pudesse escolher um único dia da minha vida para não acontecer. Eu tenho dúvida entre o que te conheci e o que você foi embora. Se eu apagasse o dia que você foi embora, você ainda estaria aqui. Mas isso não significa que estaríamos sendo felizes juntos. Talvez se eu apagasse dia que eu te conheci, eu não conheceria o amor como conheci. Do jeito novo que só você poderia ter me mostrado. Talvez eu não tivesse me entregado, e descoberto que amor é mais que sorte, é tempo e investimento. Mas se eu não tivesse te conhecido, eu não precisaria sentir saudade de alguém que você foi e que nunca mais vai ser. Porque talvez você nem fosse. Talvez fosse só uma projeção de tudo que eu sempre precisei encontrar em você. E que de um jeito ou de outro, sempre esteve lá quando eu precisei. Se eu não tivesse te conhecido, eu não estaria aqui de coração machucado, e mais uma vez te escrevendo, sabendo que você não vai ler. E se ler, não vai se importar. Porque você não é mais a metade do tesouro peculiar que foi. A verdade é que eu não tenho mais alternativa a não ser ir embora da sua vida, antes que eu precise ver você ir. Mais ainda do que já foi.

18 de agosto de 2010

Carta.



Estava pensando em você e decidi te escrever esta carta,
não sei se para que você soubesse que eu não te esqueci, ou se para garantir que você não me esquecesse. Os dias voam no calendário. Você não está aqui. Passeio pelos lugares onde sonhamos ir juntos. Você não está aqui. Tudo que vejo é sombra do ontem que ficou. Uma ameaça constante de um amanhã que eu não quero que chegue. Você não entenderia se eu tentasse te explicar. Mas a verdade é que o tempo não perdoa. E você não percebeu.. A minha vida vai devagar, e diferente de tudo o que você conhece. Tantas experiências novas. Gostaria de dividí-las com você. Não aqui te escrevendo e imaginando o seu semblante diante do que digo, mas junto à você, diante o teu sorriso. Satisfeita com os olhares e gestos de empolgação que só você faz. Mas a verdade, é que você não está aqui. Eu queria te dizer antes que tudo isso vire nada, que eu sinto a sua falta. Porque o tempo, eu sei que transforma todo amor em quase nada. Mas sinto sua falta. Sinto falta do teu riso bobo, desse jeito tão seu. Sinto falta de um homem que só você sabe ser. Mas você não está aqui. E eu preciso enfrentar os dias. Porque eles vêm, cada vez mais velozes. Menos misericordiosos. E levam com eles as minhas melhores recordações. Eu fico por aqui. Sabendo que você não vai receber essa carta. Mais uma vez escrevi e não mandei. Talvez um dia você a encontre. Talvez um dia você volte.
Talvez nunca mais.

11 de agosto de 2010



Eu ia começar dizendo que faz tempo que não escrevo nada pra você.
Mas a verdade é que eu escrevo todos os dias.
Onde ninguém chega a ver. Em meu coração.
Eu escrevo, digo e repito o que há de mais profundo em mim,
que de tão imenso, é o que existe de mais exposto.
Tá quase estampado na minha testa. Eu sei. Não tem outro jeito.
Eu finjo que ninguém sabe, pra me sentir mais à vontade, sei lá.
Tão a vontade quanto me sinto quando estou com você.
Onde nada no mundo pode me atingir.
Eu desaprendi a fazer promessas.
Esqueci de jurar que é pra sempre. E acho que agora sim entendo.
Não nos cabe um cronograma. Fomos nós. E ainda somos.
Não sei se você entende. Talvez as coisas tenham mudado em você.
Talvez em mim tudo seja novo. A não ser esse sentimento.
O velho amor, o mesmo de sempre.

3 de agosto de 2010




Sonhei com você. Mas eu não via o seu rosto.
Eu procurava, mas não o via. Chorei.
Chamei o seu nome. Te pedi que aparecesse.
Eu sabia que era você. Estava escuro.
Eu não podia te ver. Mas era você.
Foi quando acordei. Senti medo e chorei.
Eu estava te esquecendo.

21 de julho de 2010


Eu sou feita de sonhos interrompidos, detalhes despercebidos, amores mal resolvidos. Sou feita de choros sem ter razão, pessoas no coração, atos por impulsão. Sinto falta de lugares que não conheci, experiências que não vivi, momentos que já esqueci. Eu sou Amor e Carinho constante, distraída até o bastante, não paro por um instante. Já tive noites mal dormidas, perdi pessoas muito queridas, cumpri coisas não-prometidas. Muitas vezes eu desisti sem mesmo tentar, pensei em fugir, para não enfrentar, sorri para não chorar. Eu sinto pelas coisas que não mudei, amizades que não cultivei, aqueles a quem eu julguei, coisas que eu falei. Tenho saudade de pessoas que fui conhecendo, lembranças que fui esquecendo, amigos que acabei perdendo, Mas continuo vivendo.

- Martha Medeiros.

14 de julho de 2010




E eu ainda tinha muito que te dizer.
Talvez todas as coisas que eu já te disse,
As que eu ainda digo sempre que você me abre um espaço.
A verdade é que eu não tava pronta pra esquecer.
Iventei mil desculpas pra mim mesma,
várias razões pelas quais eu precisava de você aqui perto.
Mas a gente sempre sabe quando é hora de ir embora.
E na verdade, a minha hora até já passou.
Só não sei porque eu ainda não consegui ir.

9 de julho de 2010





De mãos dadas na areia, como se em direção ao fim do mundo.
A sensação do eterno martelava em seus corações.
Não existia nada que fosse capaz de roubar-lhes daquele amor.
A não ser eles mesmos. E foi assim.

6 de julho de 2010

Na moldura.


Foi quando me perguntaram porque a foto de nós dois
ainda tá na velha moldura no meu quarto.

Eu não soube responder.
Assenti com a cabeça, como quem diz: '- Por quê.'

Fiquei pensando então que teria sido esquecimento mesmo. Não foi.
Não foi falta de atenção. Tenho te visto ali todos os dias.
Confesso que pensei em mudar a foto
pra evitar que mais alguém me ferisse com a pergunta.

Mas reparei que nas fotos no meu quarto
moram apenas as minhas saudades sem remédio.

Amigos à km de distância, outros distantes do convívio,
o meu avô que já morreu. E você.

Pensando isso, senti que encontrei a resposta.
Minha Saudade. Deixa ser.

Você continua lá, na mesma moldura no meu quarto.
Na minha vida.